AMÉRICA ANGLO-SAXÔNICA

06/05/2015 14:23

AMÉRICA ANGLO-SAXÔNICA

Os Estados Unidos da América (EUA) e o Canadá são os dois únicos países do continente americano que apresentam uma economia de mercado desenvolvida e instituições democráticas sólidas. Ou seja, são os únicos países americanos incluídos no Norte Geoeconômico.

O nome América Anglo-Saxônica se dever ao fato de esses países terem sido colonizados principalmente pela Inglaterra, embora tenham recebido influência de outros povos europeus.

Ambos formam a chamada América Anglo-Saxônica, pois o principal idioma oficial desses países é o inglês, língua de origem anglo-saxônica ou germânica. O espanhol e o francês, línguas de origem latina, também estão presentes: nos Estados Unidos da América é cada vez maior o número de pessoas que falam espanhol, principalmente nas regiões do sul, onde é usado em muitas escolas. As línguas oficiais do Canadá são o inglês e o francês. Esta última é a língua predominante na província de Quebec (habitada por dois terços dos cidadãos canadenses de língua francesa) e falada, em menor proporção, também em outras províncias (Manitoba, Nova Brunswick, Ontário). Assim, do ponto de vista lingüístico, essa porção da América é predominantemente anglo-saxônica, embora não de maneira exclusiva.

Na América Anglo-Saxônica, prevaleceram as colônias de povoamento baseadas no trabalho familiar livre e assalariado, na pequena e média propriedade policultora e na produção voltada para o abastecimento do mercado interno. Os colonizadores ocupavam as terras com o objetivo de fixar residência e criar uma nova pátria. No sul dos Estados Unidos, prevaleceu a colonização de exploração, na área produtora de algodão, onde inclusive o trabalho era escravo, latifúndio, monocultura e produção para o mercado externo (plantation).

Os EUA e o Canadá são os maiores países do continente americano e estão entre os maiores do mundo: o Canadá tem uma área de 9.970.610Km2 (2º maior país do mundo), os EUA – considerando o Alasca, localizado a noroeste do Canadá, e o Havaí, situado em um arquipélago do oceano Pacífico -, possuem 9.372.614km2 (4º maior país do mundo). Apenas a Rússia 17.075.400Km2 é maior que o Canadá, e a China, terceiro país do mundo em extensão territorial, é maior que os EUA. O Brasil vem em 5º e a Austrália em 6º. Esses são os seis países “continentais” da superfície terrestre, com enormes áreas que são equivalentes a um continente.

Estendendo-se de leste para oeste, ou seja, do oceano Atlântico até o oceano Pacífico, a área territorial desses países tem uma importância fundamental, pois favorece a existência de muitos recursos naturais. Mas o Canadá – que apresenta clima continental frio, com invernos rigorosos, além de clima frio polar no extremo norte – enfrenta dificuldades para povoar suas áreas mais geladas, não chegando, por isso a explorar totalmente seus recursos naturais.

Nesse aspecto, os Estados Unidos levam vantagem: poucas áreas apresentam grandes altitudes, como as montanhas Rochosas (a oeste), ou clima árido, como o deserto do Colorado (a sudoeste). Por isso, possibilita-se o povoamento de quase todo o território e facilita-se a exploração de recursos naturais.

Nas montanhas Rochosas existem importantes recursos minerais. Essa cadeia de montanhas atravessa, de norte a sul, todo o oeste do Canadá e dos EUA, inclusive o Alasca.

A leste do Canadá localiza-se o planalto do Labrador, com ricas reservas de ferro. Nos montes Apalaches, a leste dos EUA, há reservas quase inesgotáveis de carvão mineral, com numerosas minas exploradas a céu aberto.

No centro de ambos os países existe uma importante área de planície, chamada planície Central, originalmente coberta por dois tipos de vegetação herbácea: as pradarias e as estepes. Nas áreas de pradarias o índice pluviométrico varia entre 250 e 500 mm por ano; as áreas das estepes são mais secas, com índice inferior a 250 mm.

Somente uma pequena área no sudeste do Canadá está coberta por pradarias. Nos EUA, porém, uma imensa área apresenta essa vegetação, substituída pelas estepes apenas a oeste, na direção dos desertos e da área montanhosa.

O montante das reservas naturais dos EUA era de tal ordem que o país se caracterizou por um verdadeiro esbanjamento de recursos no início de sua industrialização. Exploravam-se apenas os melhores filões das jazidas de ferro, manganês, linhita, hulha, bauxita, cobre, níquel, petróleo, etc. Muitos poços petrolíferos e minas ainda em condições de funcionamento eram abandonados.

Esse desperdício acabou provocando sérios estragos no meio ambiente, além de esgotar diversas minas. É por isso que atualmente os Estados Unidos dependem da importação de alguns produtos, como manganês, bauxita e níquel.

As jazidas minerais mais importantes do Canadá localizam-se nas proximidades da fronteira com os EUA. O clima mais ameno, a importância econômica de tais jazidas e da planície Central, e a vizinhança dos Grandes Lagos explicam por que essa área limítrofe é a mais populosa do país.

O Canadá possui uma população reduzida para o tamanho do seu território, cerca de 34 milhões de habitantes (2010). Os EUA, por sua vez, tem mais de 312 milhões de habitantes (2010) – pouco mais de 4% da população mundial -, que desfrutam de um elevadíssimo padrão de consumo. Trata-se do maior e mais diversificado mercado consumidor do planeta.

Tal mercado tende a se fortalecer ainda mais, já que nas últimas décadas a economia do Canadá vem se integrando cada vez mais à dos EUA. Essa integração foi adquirindo um contorno mais nítido desde as primeiras décadas do século XX, quando os EUA iniciaram pesados investimentos na economia canadense, mantidos até hoje. Também a economia mexicana, embora mais pobre, vem estreitando seus laços com os EUA, principalmente a partir dos anos 1990.

CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO

O crescimento demográfico na América também é desigual. Os países desenvolvidos apresentam taxas de crescimento da população menores que as dos países subdesenvolvidos.

Na América Anglo-Saxônica, na segunda metade do século XIX, em especial nos Estados Unidos, passou por um período de crescimento econômico que promoveu melhorias das condições de vida e redução das taxas de mortalidade. Isso proporcionou um rápido crescimento da população – relacionado também a vinda de muitos imigrantes.

No início do século XX, as taxas de natalidade diminuíram, influenciadas pelo alto custo de criação dos filhos, pela entrada da mulher no mercado de trabalho, pela disseminação e uso de métodos anticoncepcionais e pelo planejamento familiar.

A partir de 1950, a redução da natalidade, associada a um rigoroso controle da imigração, resultou na queda do crescimento demográfico.

A AGROPECUÁRIA

Na América Anglo-Saxônica, a agricultura se caracteriza por ser uma das mais desenvolvidas do mundo, empregando técnicas modernas, como seleção de sementes, uso intenso de fertilizantes para corrigir os solos e agrotóxicos para combater doenças.

O alto grau de mecanização contribui para reduzir o número de trabalhadores rurais, mas favorece a produção, como acontece nos chamados belts ou cinturões agrícolas nos EUA. Entre os principais belts destacam-se o wheat belt (trigo), o corn belt (milho) e o cotton belt (algodão). Tais fatores tornam os países da América Anglo-Saxônica grandes produtores agrícolas, principalmente de trigo, soja, centeio e cevada, com produção voltada para o mercado interno.

A pecuária também adota tecnologia avançada, como inseminação artificial e modificação genética, técnicas que aumentam a produtividade.

A INDÚSTRIA NA AMÉRICA ANGLO-SAXÔNICA

Os países da América Anglo-Saxônica são mais industrializados e sua atividade industrial tem tecnologia mais avançada, que os países da América Latina.

Nos EUA, formou-se uma das maiores e mais antigas áreas industriais do mundo, conhecida como manufacturing belt ou cinturão da manufatura, que concentra as tradicionais indústrias dos ramos automobilísticos, siderúrgico, metalúrgico, mecânico, têxtil, aeronáutico e naval. Já no Canadá, destacam-se Ontário e Quebec como centros da manufatura canadense, sendo a siderurgia um dos setores mais importantes.

INDÚSTRIA E TECNOLOGIA

A tecnologia, que consiste na aplicação do conhecimento científico para produzir bens, está em estreita ligação com as indústrias para melhorar os processos de produção e o aproveitamento de matérias-primas.

Na América, as principais zonas de desenvolvimento tecnológico, os chamados tecnopolos, localizam-se nos EUA e no Canadá, com destaque para Califórnia e região dos Grandes Lagos. Esses países dedicam grande parte de seu orçamento a pesquisas, educação e formação profissional.

O Vale do Silício, ou Parque Tecnológico de Stanford, foi criado em 1955 na Califórnia, EUA. Essa área reúne empresas do ramo de informática e microeletrônica. Além de empresas de alta tecnologia, a região possui universidades, centros de pesquisa e mão de obra qualificada.