CEI

18/08/2015 23:35

CEI – Comunidade dos Estados Independentes

Rússia, Ucrânia e Belarus, as três repúblicas mais importantes da extinta União Soviética, fundaram a CEI. É importante salientar, que o governo da Ucrânia, após a invasão da Criméia, pela Rússia, tem procurado se afastar da órbita da Rússia, e estipulou um prazo de cinco anos, para ingressar na União Europeia.

O fim da União Soviética e a formação da CEI

Em 1991, após a desagregação da União Soviética, iniciaram-se esforços para a criação da CEI. Para a Rússia era essencial manter relações com as outras repúblicas independentes, tanto por interesses militares (pois parte do arsenal nuclear e da frota da extinta União Soviética havia ficado em território de nações agora independentes) como por questões energéticas (para manter o fornecimento constante dos oleodutos e gasodutos que atravessam várias dessas repúblicas). Essa busca pela hegemonia sobre as antigas repúblicas soviéticas gerou diversos conflitos entre os pró-russos e os pró-europeus.

O que é a CEI?

A CEI é uma organização confederativa que visa manter a unidade e a soberania dos Estados – membros, com certa autonomia política e econômica. Parte de seus membros localiza-se na Europa e na Ásia. As ex-repúblicas soviéticas Estônia, Letônia e Lituânia não aderiram a CEI. Após se declararem independentes, elas iniciaram um processo de integração à União Europeia, concluído em 2004. Já a Geórgia se integrou à CEI em 1994, porém, saiu em 2009 por ser contra o apoio da Rússia aos movimentos separatistas da Abkasia e da Ossétia do Sul.

Socialismo e reforma agrária

A reforma agrária realizada a partir de 1917 pelo regime socialista incluiu a coletivização das propriedades agrícolas, colocando-as sob o controle dos governos. Criaram-se, assim, cooperativas de propriedades privadas – denominadas kolkhoses na Rússia – e fazendas coletivas altamente mecanizadas e gerenciadas diretamente pelo governo – chamadas sovkhoses na URSS – para controlar toda a produção agrícola e aumentar o excedente so setor.

            Esse sistema ganhou força quando se intensificaram as rivalidades entre os blocos socialista e capitalista. As economia socialistas passaram a ver no controle total do setor agrícola e industrial uma possibilidade de se tornarem autossuficientes e deixar de depender do comércio com países capitalistas.

            Com a desagregação da URSS, esse sistema foi praticamente abolido. As propriedades agrícolas foram privatizadas, tal como em outras áreas da economia.

            Para aprimoramento das relações comerciais, os países do bloco oriental haviam criado o Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecom). Ele também foi desfeito no começo da década de 1990, após a desagregação da União Soviética.

A burocratização e a falta de competitividade

controle estatal sobre todos os ramos da economia e da política soviética consolidaram uma enorme e ineficiente estrutura burocrática governamental. A planificação centralizada levou, naquele período, à criação de um sistema hierárquico que tornava lenta a tomada de decisões e dificultava a transmissão de informações relevantes sobre a situação econômica e social. Assim, a implementação de medidas sociais, econômicas e políticas envolvia um processo demorado.

            Aberta ao comércio com os demais países do mundo, a CEI passou a sentir a desvantagem de seus países-membros apresentarem um sistema produtivo pouco diversificado e tecnologicamente atrasado. Muitos dos setores produtivos desse bloco tiveram de se adaptar à estrutura competitiva do mercado internacional. A conversão das economias planificadas em economias de mercado trouxe, em um curto prazo, desemprego e diminuição de renda das camadas sociais mais desfavorecidas.

            A falta de competitividade e de investimentos em pesquisas, em setores como o automobilístico e o de eletrodomésticos, provocou uma estagnação das economias do Leste Europeu, somando-se à limitada produtividade e a baixa qualidade dos bens de consumo. Enquanto isso, nos países do bloco ocidental, a produtividade crescia rapidamente.

            Apesar das limitações, alguns países da CEI são grandes produtores agrícolas, especialmente de grãos. É o caso, por exemplo, da Ucrânia, que está entre os maiores produtores d cereais, trigo e milho do mundo.

O comércio entre os países da CEI

controle rigoroso exercido pela Rússia, que antes garantia uma unidade rígida entre as demandas e as ofertas do comércio regional, promoveu o rompimento de todos os vínculos existentes entre os países que depois vieram a constituir a CEI, especialmente os comerciais, o que resultou em uma queda drástica do comércio entre eles. Com o fim da centralização, cada país passou a se integrar ao comércio internacional da maneira mais favorável aos seus interesses.

            Desde a sua criação, a CEI encontra dificuldades para se manter. Muitas das repúblicas que a integram aproximaram-se da União Europeia. Apesar disso, a Rússia tenta manter certa hegemonia sobre esse bloco. À custa de algumas tensões.

O separatismo checheno na Federação Russa

O país ao qual se dá o nome de Rússia é, na verdade, uma federação de repúblicas, províncias autônomas e territórios. A Chechênia é uma dessas repúblicas autônomas. Com uma população de maioria muçulmana, desde 1991 ela vem lutando por sua independência. Em 1996, guerrilheiros chechenos invadiram a república autônoma vizinha do Daguestão, também de maioria muçulmana, com o objetivo de criar com ela um Estado Islâmico único.

            O território checheno localiza-se na rota de um dos principais oleodutos russos até o Mar Cáspio, pelos quais escoam importantes produtos, como o petróleo produzido no Azerbaijão, país que faz parte da CEI. Isso explica o interesse russo em mantê-lo sob seu domínio.

            O separatismo da Chechênia representa também uma ameaça ao domínio da Rússia sobre outras repúblicas autônomas, que poderiam se motivar a seguir esse exemplo.