Clima do Brasil

27/03/2015 19:55

 

O CLIMA NO BRASIL

A principal característica do clima brasileiro, considerando sua posição geográfica, é a tropicalidade. Por isso, encontramos no Brasil praias ensolaradas, durante quase todo o ano. Entretanto, há também locais, como os estados do Sul do país, onde faz muito frio e chega a nevar.

A INFLUÊNCIA DA TROPICALIDADE

O território brasileiro estende-se de 5º16’N até 33º45’S e localiza-se em grande parte nas baixas latitudes, com predomínio das massas de ar equatoriais e tropicais e de climas quentes. Devido a sua posição geográfica, o território brasileiro sofre influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).

A Zona de Convergência Intertropical caracteriza-se por ser uma zona de baixa pressão, ao longo da faixa equatorial, para onde se dirigem os ventos alísios, que sopram de sudeste no hemisfério sul, e de nordeste no hemisfério norte. É o principal sistema responsável pela ocorrência de chuvas nas regiões norte e nordeste; nesta última, principalmente em março e abril.

Além da Zona de Convergência Intertropical, o Brasil também sofre a influência da Zona de Convergência do Atlântico do Sul, faixa caracterizada por nebulosidade, que se estende no sentido Noroeste/Sudeste, desde o sul da Amazônia até a região central do Atlântico Sul.

A Zona de Convergência da Atlântico Sul é responsável por um dos mais importantes fenômenos que ocorrem durante o verão na América do Sul: episódios de estiagem prolongada e chuvas intensas que atingem o Sul e o Sudeste do Brasil. Essas chuvas associadas a problemas de ordem social, causam tragédias, principalmente nas regiões serranas, onde predominam ocupações irregulares, como o que ocorreu na região serrana do estado do Rio de Janeiro, onde mais de 1000 pessoas morreram.

    Nas imagens acima temos ZCAS ea ZCIT

 

ELEMENTOS DO CLIMA

Entre os principais elementos climáticos que, combinados, determinam o clima estão o mecanismo das massas de ar (devido as diferenças de pressão atmosférica), umidade (chuvas) e temperatura.

O mecanismo das massas de ar

As massas de ar, porções de ar que apresentam características próprias de temperatura, umidade e pressão, constituem o principal elemento determinante dos climas. Praticamente todas as massas que atuam na América do Sul exercem influência sobre o Brasil. Nosso país só não sofre influência das massas de ar que se originam no oceano Pacífico (oeste), uma vez que essas são limitadas pela cordilheira dos Andes, que barra sua passagem para o interior do continente.

Como 92% do território brasileiro situam-se na zona tropical, o país é influenciado predominantemente por massas de ar quentes e úmidas. Apenas uma massa de ar é fria, a Massa Polar Atlântica (mPa).

Massa equatorial continental (mEc)

Originária da Amazônia ocidental, a mEc é uma massa de ar quente, úmida e instável. Exerce grande influência em todo o Brasil, provocando chuvas durante o verão. No inverno, a mEc recua e sua ação fica restrita â Amazônia ocidental.

Massa equatorial atlântica (mEa)

Quente e úmida, essa massa de ar origina-se próximo do arquipélago dos Açores, na África. Formadora dos ventos alísios de nordeste atua, principalmente, durante a primavera e o verão no litoral das regiões norte e nordeste provocando chuvas. Conforme avança para o interior, essa massa vai perdendo umidade.

Massa tropical continental (mTc)

Por ter origem na depressão do Chaco (Paraguai), uma zona de altas temperaturas e pouca umidade, essa massa de ar é quente e seca. Atua no sul da região centro-oeste e no oeste das regiões sul e sudeste, provocando longo período de tempo quente e seco, principalmente no início do outono, na primavera e final do inverno. (vento norte, como dizem os gaúchos).

Massa tropical atlântica (mTa)

De ar quente e úmido, a mTa origina-se no atlântico Sul. Formadora dos ventos alísios de sudeste, essa massa de ar atua na faixa litorânea e se estende do Nordeste ao Sul do país. Durante o inverno, há o encontro da mTa com a massa polar atlântica (mPa), que provoca chuvas frontais no litoral nordestino. No litoral das regiões Sul e Sudeste, o encontro da mTa com as áreas elevadas da serra do Mar provoca as chuvas orográficas ou de montanha.

Massa polar atlântica (mPa)

Origina-se no oceano atlântico, ao sul da Argentina, em zona de média latitude (de 30º a 60º). Essa massa de ar é fria e úmida e atua principalmente no inverno, dividindo-se em três ramos, separados pela orientação do relevo. O primeiro ramo, carregando ventos frios, sobre pelo vale do rio Paraná e provoca geada e até mesmo queda de neve nas serras gaúchas e catarinenses. O segundo ramo chega a atingir a Amazônia ocidental e provoca o fenômeno da friagem em alguns estados do Norte. O terceiro ramo avança pelo litoral, do Sul ao Nordeste, e provoca chuvas frontais no litoral nordestino.

 

CHUVAS

Apesar de nosso país apresentar uma média anual em torno de 1000mm de chuvas, estas não se distribuem de modo uniforme por toda a extensão territorial brasileira. Algumas áreas, como trechos da Amazônia, o litoral sul da Bahia e a serra do Mar, em seu trecho paulista, recebem, em geral, mais de 2000 mm de chuvas por ano.

No extremo oposto, está o Sertão nordestino, com totais pluviométricos anuais bem abaixo da média do país, como as localidades de Cabaceiras (PB), com 331mm, e Areia Branca (RN), com 588 mm. Vale ressaltar que, nesta última, o baixo índice pluviométrico somado à maior insolação anual, bem como pelos ventos fortes e constantes que auxiliam na evaporação da água do mar favorecem a existência de salinas. (locais onde se produz o sal de cozinha por meio da evaporação da água do mar.)

O restante do país, ou seja, a maior parte do território brasileiro está na faixa entre 1000 e 2000 mm de chuva, em média. Somente a porção situada abaixo do paralelo de 20ºS, onde predomina o clima subtropical, tem como características a relativa uniformidade das chuvas ao longo do ano.

 

TEMPERATURAS

Em decorrência da tropicalidade, encontram-se quase 95% do território brasileiro, médias térmicas anuais superiores a 18°C. A temperatura, quantidade de calor presente na atmosfera, é influenciada por fatores como latitude, altitude, continentalidade e correntes marítimas.

PRINCIPAIS FATORES CLIMÁTICOS

Diversos fatores podem modificar o comportamento dos elementos que caracterizam o clima brasileiro.

Altitude

Quanto maior a altitude, menor será a temperatura. No entanto, somente a influência da altitude, isolada de outros fatores, não é muito marcante no Brasil, porque mais de 95% do relevo está abaixo de 1200m de altitude. Campos do Jordão, em São Paulo, e as serras gaúchas e catarinenses, com altitudes acima de 1200 metros, são exceções.

Latitude

Nas altas latitudes, as temperaturas são mais baixas e as amplitudes térmicas são maiores. Nas cidades próximas à linha do Equador, como são o caso das regiões Norte e Nordeste brasileiras, a amplitude térmica é menor e a temperatura é mais alta do que nas cidades do Sul e do Sudeste, em virtude das diferenças de latitude existentes entre elas. O Brasil apresenta quase 40° de variação latitudinal, o que caracteriza um importante fator de diferenciação climática.

Continentalidade e Maritimidade

Quanto menor a distância em relação ao mar, menor é a amplitude térmica de um lugar. A influência do mar, ou maritimidade, torna as temperaturas mais estáveis. Isto ocorre em conseqüência do “efeito regulador de caráter térmico” que as águas dos oceanos exercem sobre as terras próximas.

A cidade de Santos, em São Paulo, por exemplo, possui menor amplitude térmica do que a cidades localizadas no interior do território brasileiro, como as dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que sofrem o efeito da continentalidade.

Correntes marítimas

O território brasileiro sofre a influência de duas correntes marítimas quentes: a corrente do Brasil, que se desloca do norte para o Sul, e a corrente das Guianas, que se desloca no sentido contrário, ou seja, do sul para o norte. Ambas as correntes contribuem para a existência de climas quentes no país.

 

CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA

Optamos pela classificação climática do cientista estadunidense Arthur Strähler por estar baseada na circulação e na atuação das massas de ar que determinam o clima no Brasil.

Climas controlados por massas de ar equatoriais e tropicais

Clima equatorial úmido

É determinado pela massa de ar equatorial continental. Sua principal área de ocorrência é a Amazônia. Tem como características: elevada taxa de umidade (o índice pluviométrico chega a ultrapassar 2500 mm anuais), altas temperaturas e baixa amplitude térmica anual.

Clima litorâneo úmido

Abrange a faixa da costa tropical atlântica. Apresenta como características chuvas concentradas no inverno e médias térmicas elevadas. O índice pluviométrico varia de 1500 mm a 2000 mm durante o ano. As chuvas são decorrentes do encontro da mTa com a mPa, e também do encontro da mTa com áreas mais elevadas do relevo, como o planalto da Borborema, no Nordeste, e a serra da Mantiqueira no Sudeste.

Clima tropical continental

É o clima mais representativo do Brasil, por isso, chamado de tropical típico. Abrange áreas das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste. Apresenta amplitudes térmicas anuais elevadas, decorrentes da continentalidade, e duas estações bem definidas: verão chuvoso, influenciado pelas massas de ar Equatorial continental e Tropical atlântica, e inverno seco, devido a ação das massas de ar Polar atlântica e Tropical continental.

Clima tropical semiárido

Característico do Sertão nordestino e do norte de Minas Gerais. É controlado pelas massas de ar Tropical atlântica e a Equatorial continental. Em geral, quando essas massas chegam ao interior do Nordeste já estão secas, pois perdem a umidade ao encontrar barreiras montanhosas que impedem a passagem das chuvas, fazendo com que elas caiam no litoral.

É o clima brasileiro com o menor índice pluviométrico anual, que chega , as vezes, a ser inferior a 500 mm. As temperaturas médias são elevadas.

Climas controlados por massas de ar tropicais e polares

Clima tropical de altitude

É encontrado nas áreas de maior altitude da região Sudeste: sofre grande influência anual da massa Tropical atlântica, que é úmida. No inverno, a massa Polar atlântica provoca baixas temperaturas e geadas.

Diferencia-se do clima tropical típico, ou continental, por apresentar maior índice pluviométrico anual (acima de 1700 mm), verões menos quentes e invernos mais frios.

Clima subtropical úmido

Representativo do sul do Brasil é dominado pela massa Tropical atlântica, mas sofre grande influência da Polar atlântica no inverno. Apresenta o segundo maior índice pluviométrico anual (em torno de 2500 mm), só perdendo para o equatorial úmido. Tem as estações definidas e chuvas bem distribuídas durante o ano. No inverno, são constantes as ondas de frio e a formação de geada. Pode ocorrer neve nas áreas de maior altitude.