CONTINENTE AFRICANO

02/09/2015 15:30

O CONTINENTE AFRICANO

O passado desafia o presente

A segunda metade do século XIX foi marcada pela divisão dos territórios africanos pelas potências imperialistas europeias durante a Conferência de Berlim (1884 – 1885).

A expansão do capitalismo industrial europeu exigia novas fontes de matérias-primas e acirrava a disputa pelo controle da África. A consequência seria a demarcação de fronteiras artificiais sem respeitar as diferenças étnico-culturais dos povos africanos em todo o continente.

Até hoje, a África sofre com sequelas deixadas pelo Imperialismo Europeu. Apesar de suas variadas riquezas, a instabilidade político-econômica expõe muitos países africanos a guerra civil, genocídios, fragilidades nos processos democráticos, pobreza, fome, epidemias, subordinação aos países desenvolvidos (sobretudo aos ex-colonizadores) e dependência de ajuda internacional.

QUADRO NATURAL E REGIONALIZAÇÃO DA ÁFRICA

O continente africano, banhado a norte pelo Mar Mediterrâneo, a leste, pelo Oceano Índico e a oeste pelo Oceano Atlântico, situa-se em sua maior parte na zona intertropical. O                                                                                                                                                                                         território é marcado por grandes diferenças,                                                                                                                                                                                 tanto étnicas como econômicas e sociais.

Relevo e Hidrografia

A maior parte do relevo africano é formada de planaltos antigos, que sofreram grandes transformações em decorrência dos processos erosivos ao longo das eras geológicas.

Em algumas porções do continente, porém, é visível a influência de processos tectônicos recentes – ligados principalmente a atividades vulcânicas, que contribuíram para a formação de altas montanhas no extremo norte e na sua porção leste. O Monte Quilimanjaro cujo pico é o mais alto da África, com 5.895m de altitude, está localizado na porção leste.

Podemos dividir o relevo da África em três porções principais: Planalto Setentrional, Planalto Centro-Meridional e Planalto Oriental.

Planalto Setentrional – Nessa porção localiza-se o Deserto do Saara, que ocupa um quarto do território continental. A noroeste dele está a Cadeia do Atlas, que se estende desde o litoral do Marrocos até a Tunísia, abrangendo a região conhecida pelo nome de Magreb.

Planalto Centro-Meridional – Com altitudes médias mais altas que as do Planalto setentrional, a região compreende o centro-oeste e o sul do continente. A Bacia do Rio Congo e o deserto do Kalahari são exceções dessa região, pois constituem duas grandes depressões.

Planalto Oriental – Região com montanhas de origem vulcânica de altitudes elevadas e com depressões ou fossas tectônicas que deram origem a extensos lagos, como o Tanganica, o Vitória (formador do rio Nilo) e o Niassa. Um aspecto marcante nesse planalto é o Rift Valley, uma depressão alongada que forma um vale de norte a sul com milhares de quilômetros de extensão.

 

UM CONTINENTE COM RICA BIODIVERSIDADE

No continente africano há grande diversidade de climas e de formações vegetais. Nele convivem, por exemplo, paisagens desérticas, como o Saara e o Kalahari, e uma das zonas mais úmidas do planeta, situada na faixa do equador, que é a Floresta do Congo.

Clima

Encontram-se na África os climas equatorial, tropical, semiárido, desértico, mediterrâneo e, em algumas áreas mais altas, o frio de montanha. O predomínio dos climas quentes se deve ao fato de o continente estar entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio.

Vegetação

A vegetação africana é influenciada, entre outros fatores, pela distribuição das chuvas pelo continente.

Florestas tropicais e equatoriais úmidas – Estão localizadas na faixa que envolve a linha do Equador. A principal é a Floresta do Congo, uma extensa Floresta Equatorial drenada pela Bacia do Rio Congo. Esse rio, com cerca de 4.700km de extensão, é o primeiro da África em volume de água.

Savanas – Presentes em regiões com duas estações bem definidas: uma seca e outra chuvosa. Nas savanas, verifica-se a presença de gramíneas, arbustos e árvores mais espaçadas que as de regiões florestadas, além da grande diversidade de mamíferos de médio e grande portes.

Estepes e pradarias – São vegetações rasteiras presentes nas áreas de clima semiárido que margeiam os desertos do Saara (a margem sul do Saara denomina-se “Sahel”) e do Kalahari.

Vegetação mediterrânea – Encontra-se no extremo noroeste, sendo arbustiva nas áreas mais próximas do Mar Mediterrâneo e de pinhos e cedros nas áreas mais chuvosas da Cadeia do Atlas. As características do clima mediterrâneo se manifestam, entretanto, no extremo norte (as margens do Mar Mediterrâneo) e no extremo sul do continente (sul da África do Sul). Oliveiras e videiras são cultivadas nestas áreas.

Vegetação desértica – Caracteriza-se pela adaptação à falta de chuvas (vegetação xerófita). A flora dos desertos é formada por uma vegetação esparsa, abrangendo plantas de raízes profundas e cactos que armazenam água em seu interior. A maior parte do deserto não possui nenhuma cobertura vegetal.

REGIONALIZAÇÃO DA ÁFRICA

Por sua rica história, etnias e religiões, a África pode ser dividida em duas grandes regiões: África do Norte e África Subsaariana.

África do Norte

Limitada ao norte pelo Mar Mediterrâneo, a noroeste pelo Oceano Atlântico e abrangida na maior parte pelo deserto do Saara, a África do Norte é constituída pelos países de maioria árabe e islâmica: Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Tunísia e Saara Ocidental (território anexado pelo Marrocos).

A região é caracterizada por alta concentração populacional no litoral do Mediterrâneo, onde as condições naturais permitem o desenvolvimento da agropecuária, a exploração de petróleo e de outros minerais – fatores de atração populacional. A proximidade do mar facilita o comércio desses países africanos com os de outros continentes. Na região, o Egito é o país mais industrializado. A colonização regional foi predominantemente francesa, embora o Egito tenha integrado a esfera de influência britânica.

Magreb  - O Marrocos, a Argélia, a Tunísia e o Saara Ocidental formam uma sub-região denominada Magreb. O grande Magreb, inclui também a Líbia e a Mauritânia. O termo, de origem árabe, significa “lugar onde o sol se põe” e designa a porção ocidental do mundo islâmico. A identidade do Magreb deve-se ao fato de ter sido povoado no passado por grupos berberes, conjuntos de povos do Norte da África que falam línguas berberes. Estima-se que existam entre 20 e 25 milhões de falantes dessas línguas, principalmente do Marrocos e na Argélia, além do Egito e da Etiópia. Os tuaregues, grupo étnico nômade da região do Saara, fazem parte dos povos de língua berbere.

Sahel – Que do árabe, significa “costa ou fronteira”, região da África situada imediatamente ao sul do Saara, o Sahel estende-se no sentido leste - oeste do continente, desde a Etiópia até o Senegal. É uma área de transição entre as regiões mais úmidas e o deserto. O Sahel é uma faixa de 500km a 700km de largura, em média, e 5.400 km de extensão, situada na África Subsaariana, entre o deserto do Saara, ao norte, e a savana do Sudão, ao sul; e entre o oceano Atlântico, a oeste, e o Mar Vermelho, a leste.

África Subsaariana

A África Subsaariana é a vasta região do continente compreendida ao sul do Deserto do Saara, povoada majoritariamente por povos negros.

 Além da grande diversidade de paisagens, a região é marcada pela exploração colonial no passado recente. A principal herança da colonização foi a divisão política arbitrária feita pelos europeus, que colocaram dentro das mesmas fronteiras etnias rivais ou separaram grupos étnicos em territórios diferentes. Em razão dessa política, até hoje ocorrem diversos conflitos étnicos no continente.

A África subsaariana apresenta baixíssimo IDH, caracterizado pela pobreza e pela fome que assolam grande parte da população. Nessa região encontram-se as nações com os piores índices de qualidade de vida do mundo; mais de 30% dos subsaarianos sofrem de fome crônica.

A presença de uma agricultura de subsistência, que se realiza ainda por meio do desmatamento e faz inadequado dos solos, colabora para aumentar o quadro de subdesenvolvimento. Associa-se a esse quadro a prática, em larga escala, das monoculturas de exportação (plantations) introduzidos no século XVIII pelos colonizadores. A priorização dada a esse sistema agrícola, voltado para a exportação, além de ter desprezado a produção de alimentos para o consumo humano local, expulsou os camponeses nativos para áreas menos produtivas.

A exceção à extrema pobreza e miséria em toda a África Subsaariana está na África do Sul, país que atingiu certo grau de industrialização e modernização devido à grande quantidade de ouro, ferro e pedras preciosas em seu território. Contribuíram também para o desenvolvimento do país os investimentos industriais de britânicos radicados na região.

Distribuição da População

Na África, há regiões em que as condições naturais e a infraestrutura contribuíram para maior ocupação e desenvolvimento econômico, em prejuízo de vastas áreas que não apresentavam inicialmente condições favoráveis a um povoamento maior.

As condições naturais, que constituíram adversidades no passado, são superáveis com o uso de técnicas modernas; porém, o desenvolvimento do território nas regiões com condições difíceis para a ocupação humana somente ocorre com a aplicação de grandes capitais do exterior.

Condições naturais e ocupação

De modo geral, nas áreas onde a declividade nos terrenos é menor e as altitudes são mais modestas, houve maior fixação de populações. Isso porque, nessas áreas, as condições climáticas favorecem o desenvolvimento da atividade agrícola. Entretanto, algumas regiões, geralmente próximas a rios, sofrem com a disseminação de doenças transmitidas por insetos, como o tsé-tsé e o transmissor da malária.

A ocupação populacional mais intensa também favorecida nas áreas com maior disponibilidade hídrica, como no vale do Rio Nilo e o centro oeste do continente, onde se deu o desenvolvimento da agropecuária.

Entre os lugares pouco habitados do continente destacamos as áreas de desertos, como no Saara e o Kalahari. O Deserto do Saara é habitado por beduínos, povos nômades e seminômades originários da Península Arábica, que se dedicam principalmente ao pastoreio. No deserto do Kalahari , no sul da África, são encontrados os bosquímanos, grupos de nômades caçadores e coletores, herdeiros da cultura mais antiga do mundo.

Reservas minerais e ocupação

A existência de reservas minerais para aproveitamento econômico constituiu outro fator de fixação de populações em áreas específicas do continente africano. Ao redor dessas reservas, formaram-se bolsões de desenvolvimento, em muitos casos cercados por um enorme contingente de populações mais pobres.

A mineração está diretamente relacionada ao desenvolvimento de várias áreas por meio da extração de ouro e metais preciosos, principalmente na África do Sul, na República Democrática do Congo e na Zâmbia, geralmente sob o comando de capitais estrangeiros.

O impacto do colonialismo

Para explicar a atual distribuição das populações africanas também devem ser levadas em conta as guerras entre as diversas nações e entre os diferentes grupos tribais, assim como a escravidão. Esses fatores acabaram por incrementar a urbanização de algumas cidades e regiões portuárias e, ao mesmo tempo, provocaram um deslocamento populacional forçado e o esvaziamento de várias áreas no interior do continente.

Os colonizadores europeus também colaboraram na fundação de vários centros urbanos, com suas atividades comerciais entre a Europa e os territórios por eles controlados no continente africano.