Índia

09/10/2014 17:04

            ÍNDIA: o país das diversidades

            De colônia britânica a país independente

            Com 3.287.590Km2, a Índia localiza-se no sul da Ásia e ocupa a maior parte do subcontinente indiano. Sétimo maior país em extensão do mundo, foi colônia britânica até 1947.

            No período das grandes navegações do século XVI, a Índia já sofria influências estrangeiras. Inicialmente, foram implantadas bases e feitorias europeias, ou seja, entrepostos comerciais europeus em território indiano. No século XIX, o controle informal sobre a Índia tornou-se formal, e o território indiano, além dos atuais territórios do Paquistão, Bangladesh e Mianmar, transformou-se em colônia britânica.

            A partir de 1920, teve início um movimento pela libertação da Índia do domínio britânico, liderado por Mohandas Karamchand, depois chamado Mahatma Gandhi (Grande Alma), por causa de sua dedicação à causa indiana e à forma de conduzir a oposição aos britânicos, baseada na política da resistência e desobediência civil sem o uso da violência.

            Em 15 de agosto de 1947, os britânicos reconheceram a independência da Índia, que ficou bipartida em dois estados: a União Indiana, povoada por uma população majoritariamente seguidora da religião hinduísta, e o Paquistão, dividido em Paquistão Oriental e Paquistão Ocidental, ocupado predominantemente por muçulmanos.

            Em 1971, após muitos conflitos entre várias facções muçulmanas, o Paquistão Oriental proclamou a independência e alterou seu nome para Bangladesh.

            A Birmânia, por sua vez, desde 1937 havia se tornado uma colônia britânica a parte da Índia, com um governador-geral. Em 1948, como consequência das modificações que ocorriam na Índia, a Birmânia também obteve a independência e, posteriormente, mudou seu nome para União de Mianmar.

            A população indiana

            A Índia é a maior democracia do mundo e, na Ásia, uma das mais antigas. Concentra cerca de 17% da população mundial – 1,1 bilhão de habitantes (2010), sendo superado apenas pela China, (1,3 bilhão de habitantes – 2011).

            Distribuição da população

            Na Índia, as menores densidades demográficas são encontradas nas florestas e zonas áridas do oeste e nas montanhas do norte. As mais elevadas concentram-se nas planícies dos rios Indo e Ganges, nos deltas dos rios e nos e nos núcleos urbanos mais importantes. No vale do Ganges, há vastas áreas cuja densidade demográfica é superior a 500 hab./km2, o que faz dessa região uma das áreas de maior concentração populacional do planeta, conhecido por formigueiro humano.

            Principais cidades

            Mumbai, antiga Bombaim, é a capital financeira e comercial do país, além de abrigar o porto mais importante. Localizada no Planalto do Decã, na porção oeste da Índia, é a maior aglomeração urbana indiana, com cerca de 18,9 milhões de habitantes. Em 2007, tornou-se a quarta mais populosa do mundo, superada apenas por Tóquio (35,6 milhões), Nova York (19,040 milhões), e Cidade do México (19, 028 milhões). Estimativas apontam que em 2025 ocupará a segunda posição, com cerca de 26,3 milhões de habitantes, somente atrás de Tóquio.

            Délhi é a segunda maior aglomeração urbana indiana. Localizada no norte da Índia, no alto Ganges, conta com 15,9 milhões de habitantes (2007). Dentro da metrópole de Délhi situa-se Nova Délhi, com 42,7 km2, capital da Índia.

            Calcutá, com 14,9 milhões de habitantes – terceira maior cidade da Índia, localiza-se no estado de Bengala Ocidental, no nordeste do país, no delta do Rio Ganges. Além de abrigar um dos portos mais importantes da Ásia, é considerada a capital cultural da Índia. De maneira geral, as condições de vida da população são mais precárias quando comparadas às existentes em Mumbai e Délhi.

            Desigualdades sociais e econômicas

            Grande parte da população indiana padece com a fome e a desnutrição, vive em precárias condições de habitação e de saneamento básico, além de enfrentar elevada taxa de desemprego e grande desigualdade na distribuição de renda.

            O país também apresenta alta taxa de mortalidade infantil (55%0), baixa esperança de vida média (63,7 anos) e elevada taxa de analfabetismo de adultos (39% entre a população de 15 anos ou mais), entre outros problemas sociais.

            Ao lado das razões históricas e econômicas, a estrutura social do sistema de castas contribui para as precárias condições sociais em que vivem milhões de indianos. Ainda bastante influente na cultura e no convívio das pessoas, principalmente no meio rural, dificulta a ascensão social de muitos indianos, pois, além de impedir o casamento entre pessoas de castas diferentes, desperta reações contra programas sociais do governo destinados a beneficiar os menos favorecidos.

            As desigualdades regionais também são muito grandes. Enquanto o estado e Pradesh, situado ao norte com cerca 150 milhões de habitantes, tem indicadores sociais abaixo da média nacional e vive em condição de extrema pobreza, no estado de Kerala, ao sul, a população apresenta melhores de mortalidade infantil é de 17%0, bem abaixo da média nacional.

            Diversidade linguística, religiosa e étnica

            A Índia é um país de grande diversidade linguística. O inglês e o híndi são as línguas oficiais, mas a Constituição indiana reconhece dezesseis línguas regionais e mais de 1.600 dialetos. O híndi é falado por quase 40% da população, seguido pelo télugo, o bengali, o marati, o tâmil, o urdu e muitas outras.

            Quanto a religião, os dois maiores grupos são formados pelos hinduístas, que representam cerca de 75% da população, e pelos seguidores do islamismo, que somam 12%. As demais possuem menos seguidores: cristãos,6%; sikhis, 2,2%; budistas, 0,7%; e outros.

            Dois troncos étnicos predominam na Índia: o ariano ou hindu, ao norte, e o dravidiano, ao sul. Ao longo da história, ocorreu grande miscigenação entre eles. Além desses, há os mongóis, que habitam a região montanhosa ao norte do país, e outros grupos étnicos minoritários.

            Conflitos étnicos-culturais e fronteriços

            A sociedade indiana convive com conflitos étnicos, marcados pelo desejo de separatismo por parte de minorias, fato que ameaça a sua unidade. Alguns deles estão relacionados ao estabelecimento das fronteiras nacionais a partir das fronteiras coloniais.

            Punjab: conflitos entre indianos e sikhis

            No noroeste da Índia, no estado do Punjab, são frequentes os conflitos armados envolvendo os sikhis, minoria étnico-religiosa que soma cerca de 26 milhões de pessoas. Os sikhis reivindicam a separação do Punjab da república da Índia, e os indianos se recusam a perder essa rica região agrícola.

            Num dos grandes conflitos, em 1984, cerca de 1.700 adeptos da seita sikhi foram mortos. Os sikhis responderam com o assassinato de primeira-ministra Indira Gandhi. As tensões e os conflitos continuam ainda nos dias atuais.

            Caxemira: uma região explosiva

            São frequentes os confrontos entre hinduístas e muçulmanos em diversas partes do território indiano. O principal deles está na caxemira, região entre a Índia e o Paquistão, habitada predominantemente por muçulmanos.

            Dois terços do território da Caxemira são controlados pela Índia, que se nega a abdicar da região. Com o apoio do Paquistão, a população muçulmana da caxemira reivindica a separação. Em 2001, o Paquistão propôs que se realiza-se um plebiscito na Caxemira, quando então seus habitantes se manifestariam sobre o país a que desejariam pertencer. A Índia rejeitou a proposta, mantendo o problema sem solução.

            Para agravar ainda mais a questão geopolítica da Caxemira, tanto a Índia quanto o Paquistão detêm tecnologia nuclear e frequentemente realizam testes nucleares para demonstrar suas capacidades destrutivas. As cinco potências nucleares mundiais (Estados Unidos, Reino unido, Rússia, França e China) repudiam os testes nucleares.

            Dessa maneira, a Caxemira continua sendo um foco de tensão no globo, colocando sob ameaça a coexistência pacífica na Ásia Meridional.

            A economia indiana

            A economia indiana é marcada por grandes contrastes: de um lado, milhões de habitantes vivem em condições de vida precárias e, de outro lado, centros universitários de alto nível possibilitam que o país se destaque na produção de tecnologias avançadas.

            A agropecuária

            Devido a crenças religiosas, os hinduístas (maioria da população) consideram bois vacas animais sagrados, portanto, não consomem carne bovina; por isso Índia detém o maior rebanho bovino do mundo, cerca de 218 milhões de cabeças; o Brasil detém o maior rebanho bovino comercial do mundo 209 milhões de cabeças. O país ainda é responsável por quase 15% da produção mundial de leite, sendo que mais de 50% do leite consumido pela população é de búfala. Há também expressivas criações de cabras, ovelhas, porcos e aves.

            A agricultura, atividade econômica básica do país, responde por cerca de 25% do PIB indiano. Por causa das heranças do período colonial, ainda emprega a maior parte da população economicamente ativa (cerca de 60%). Contudo, poucos agricultores indianos contam com recursos técnicos adequados para direcionar a produção para fins comerciais. Esse fato somado ao pequeno tamanho das propriedades dos camponeses, que resultou da reforma agrária realizada nos anos seguintes à independência da Índia, contribui para que a maior parte da produção esteja voltada para o sustento familiar.

            As áreas destinadas ao cultivo ocupam mais da metade da superfície total da Índia. As produções de arroz e trigo, os principais produtos agrícolas do país e base da alimentação dos indianos, o colocam como segundo produtor mundial, superado apenas pela China.

            Embora a Índia tenha se tornado autossuficiente na produção de alimentos depois da chamada revolução verde, ainda hoje milhões de indianos sofrem de subnutrição e escassez de alimentos.

            Entre os fatores que ajudam a explicar essa realidade, encontram-se as monoculturas destinadas a exportação, herança do período colonial, que no passado, favoreceram a substituição das culturas alimentares pelas de exportação (matéria-prima), com graves consequências para alimentação do povo. Hoje, as monoculturas de chá, algodão, café, juta e cana-de-açúcar, muitas delas em mãos de estrangeiros, ocupam vastas porções do território indiano em detrimento do plantio de produtos voltados à alimentação da população do país.

            Indústria

            Como também ocorreu em outras colônias europeias, o sistema produtivo indiano foi desmantelado e substituído por uma economia comandada por necessidades externas. A dominação colonial britânica, desde o século XVIII até 1947, interrompeu o desenvolvimento artesanal, industrial e tecnológico da Índia, que em alguns setores se encontrava adiantado.

             É o caso do artesanato têxtil, que, além de abastecer a população, exportava o tecido graças à sua qualidade. Entretanto, como os britânicos estavam interessados em vender os próprios tecidos, adotaram uma política de preço baixo até conseguir desestruturar a produção têxtil local.

            Esse fato ajuda a explicar o atraso industrial da Índia até sua independência, quando então passou a apresentar um desenvolvimento industrial mais acelerado. Podemos dizer, portanto, que se trata de um país de industrialização tardia.

            Com a independência, a Índia adotou uma política econômica caracterizada pela intensa participação do estado na Economia. A partir de 1991, com  expansão da política econômica neoliberal no mundo, o governo indiano alterou essa conduta: promoveu uma liberalização da economia, marcada pela abertura para o exterior, suprimindo o controle das importações e permitindo investimentos estrangeiros, entre outras medidas.

            Hoje o parque industrial indiano situa-se entre os dez maiores do mundo. Apesar de empregar 17% da população economicamente ativado país, destaca-se no cenário mundial por apresentar significativo desenvolvimento em vários setores de tecnologia avançada (nuclear, satélites, informática etc.).

            Graças aos investimentos em educação e em centros de pesquisas, o setor de informática está entre os mais avançados do mundo. A Índia é o segundo exportador mundial de softwares, superado apenas pelos EUA.

            As indústrias se alta tecnologia de informática desenvolveram-se em alguns polos industriais: Mumbai, Chennai, Délhi e Bangalore. Em Hyderabad, instalou-se um centro de pesquisas farmacêuticas que tem desenvolvido novos medicamentos, além de medicamentos genéricos, dos quais a Índia é o maior exportador mundial.

            A formação científica e tecnológica de qualidade oferecida pelas universidades e institutos de pesquisa indianos atrai empresas estrangeiras interessadas em contratar profissionais: parte significativa dos trabalhadores especializados de importantes empresas estadunidenses de informática é indiana. Do mesmo modo, calcula-se que cerca de um sexto dos colaboradores qualificados da Nasa, a agência espacial americana, são indianos. Esses profissionais desfrutam de grande prestígio e são muito requisitados em todo o mundo.

            Outros tipos de indústrias se destacam na Índia, entre elas: construção naval, mecânica, química, petroquímica, siderúrgica, metalúrgica, petrolífera, extração de minerais etc.

            Merece ainda destaque a indústria cinematográfica indiana, localizada principalmente em Mumbai e conhecida como Bollywood. A produção anual de filmes supera a dos EUA.  Cerca de mil filmes anuais foram produzidos, em média nos últimos anos, enquanto nos EUA a média foi de quinhentos filmes por ano. Essa produção atende o mercado interno e é exportada principalmente para países asiáticos. Além de representar uma fonte de divisas para o país, é uma atividade que cria referências culturais favoráveis à Índia na região.