INDUSTRIALIZAÇÃO

05/08/2015 13:37

 

Industrialização é o processo de modernização pelo qual passam os meios de produção de uma sociedade. É acompanhada pela ampliação tecnológica e desenvolvimento da economia.

Industrialização é um processo antigo na humanidade. Ainda durante a Idade Média, novas técnicas marcaram o avanço dos meios de produção e de produtividade. Mas isso não quer dizer que houvesse indústrias como conhecemos atualmente ou características do capitalismo. O progresso passou por várias fases tecnológicas. Técnicas mais aprimoradas de agricultura, artesanato e manufatura  deram suas contribuições para o desenvolvimento pleno da indústria.

O primeiro país a passar por uma industrialização efetiva foi a Inglaterra. Isso porque a indústria altera não só os meios de produção, mas são impactantes nas relações sociais também. É no século XVIII que ocorre o que é chamado de Primeira Revolução Industrial, quando a Inglaterra baseia seu desenvolvimento econômico nas indústrias, promovendo o cercamento dos campos e empurrando os trabalhadores para as áreas que se urbanizavam através da produção industrial. Karl Polanyi chama o processo iniciado pela industrialização de “O Moinho Satânico”, pois é nesse período que ocorre uma desarticulação da sociedade, transformando a economia em economia de mercado e estabelecendo o capitalismo como sistema. A Industrialização causa impactos que vão muito além da utilização de máquinas, representa novas formas de organização social pela lógica de lucro que introduz, fazendo com que as relações sociais passem a fazer parte da economia, e não o contrário.

A implantação de um maquinário próprio transforma a sociedade e a forma de trabalho com o intuito de produzir maior riqueza e lucro. A burguesia é a classe que se consolida com o processo de industrialização e, em muitos casos, homens são substituídos por máquinas nos meios de produção. O impacto da industrialização gera um grande aumento na divisão do trabalho, grandes progressos em produtividade industrial, assim como o crescimento da classe média e dos padrões de consumo.

A Inglaterra foi o grande símbolo da Primeira Revolução Industrial, ocasião caracterizada pela própria invenção da máquina a vapor, com aumento da produtividade, maior exploração do trabalho e estabelecimento do sistema capitalista na economia. Outros dois momentos marcantes de industrialização ocorreram posteriormente no mundo.

Segunda Revolução Industrial expandiu o grupo de países detentores de tecnologias e produções industriais. É uma fase caracterizada pela descoberta e uso da energia elétrica, além do uso e valorização do petróleo como fonte de energia. Essa industrialização do século XIX esteve inserida no contexto do Neocolonialismo ou Imperialismo, no qual os países buscavam por áreas de influência no mundo, onde pudessem vender seus produtos industrializados e obter as matérias-primas necessárias para o sustento de suas indústrias. Essa disputa pelos países industrializados há mais tempo e os que ingressavam no capitalismo ocorreu, sobretudo, nos territórios da África e da Ásia. O clima de tensão, contudo, pairou na Europa, e o aumento das hostilidades entre os países que concorriam por regiões de influência acarretou na Primeira Guerra Mundial.

Já a Terceira Revolução Industrial é mais recente e vivemos constantemente sob seus impactos. Essa fase é caracterizada pelo grande avanço da informática e da telemática. É conhecida também como Revolução do Silício, a qual informatizou e tornou mais rápida as relações de produção, econômica e social.

O Brasil entrou com atraso no processo de Industrialização. Ainda no período Imperial, no decorrer do reinado de Dom Pedro II, houve um surto industrial promovido pelo Barão de Mauá. A situação desagradava os ingleses, que viam com maus olhos seus empreendimentos, e a iniciativa do Barão de Mauá acabou quebrando. Ao longo da Primeira República, outros surtos industriais também aconteceram. Em alguns casos por iniciativas particulares e, mais expressivamente, por conta da Primeira Guerra Mundial que interrompeu o fluxo de produtos industrializados para o Brasil, o qual teve que investir em produção própria para dar conta de suas demandas durante o conflito. Entretanto a industrialização brasileira só se desenvolveu mesmo a partir do governo de Getúlio Vargas que promoveu industrialização de base e a urbanização do país. Juscelino Kubitscheck ampliou a industrialização abrindo espaço para a produção dos bens de consumo e as indústrias internacionais.

A expansão industrial

A industrialização se caracteriza pelo processo de desenvolvimento industrial em uma determinada localidade, cujo principal interesse é a substituição do modo de produção para maximização dos lucros. Esse fenômeno ocorre através da mecanização das atividades em substituição de algumas funções exercidas pelo homem, proporcionando uma produção em série e em grande escala.

O processo industrial consiste em um conjunto sistematizado de arte e ofícios de produção dentro de instalações (a fábrica), usando máquinas, energia e trabalho humano, que transforma e combina as matérias-primas para produzir uma mercadoria que será posta à venda.

O segmento industrial se expandiu de forma expressiva a partir do XVIII, através da Primeira Revolução Industrial, na Inglaterra. Esse momento histórico ficou marcado pelas transformações no processo produtivo, que incorporou as máquinas (máquina a vapor), capazes de produzirem em série, e passou a utilizar fontes energéticas mais eficazes (carvão).

Os países europeus foram os primeiros a se industrializarem, pois foi nesse continente que ocorreram as principais transformações nos modos de produção, portanto, esse processo se caracteriza como industrialização clássica. Os países emergentes são caracterizados por uma industrialização tardia, periférica, cujo desenvolvimento se intensificou após a Segunda Guerra Mundial (1945), esse é o caso do Brasil.



A expansão das indústrias está diretamente relacionada ao processo de urbanização e crescimento demográfico nas cidades, pois esse fenômeno exerce grande poder de atração para a população rural, fato que desencadeia os fluxos migratórios para as cidades. Outros aspectos da industrialização é o desenvolvimento de infraestrutura, transporte, comunicação, diversos ramos de serviços, degradação ambiental, entre outros.

 

 

 

Tipos de industrialização

O desenvolvimento industrial ocorreu em três modelos distintos ao longo da história: a industrialização clássica, a planificada e a tardia.

Além das três Revoluções Industriais pelas quais a humanidade passou em diferentes períodos, a sociedade em todo mundo já testemunhou três diferentes tipos ou modelos de industrialização, cada um deles ocorrendo em alguns determinados lugares. Esses modelos variavam conforme o grau de desenvolvimento e domínio geopolítico dos Estados Nacionais. O processo industrial ocorria, primeiramente, nos países considerados desenvolvidos e, por último, nos países chamados subdesenvolvidos e emergentes.

Industrialização clássica

A industrialização clássica ocorreu nos países desenvolvidos, acontecendo primeiramente na Inglaterra, na segunda metade do século XVIII, e estendendo-se ao longo do século XIX em outros países também considerados desenvolvidos.

Esses países, durante esse processo, passaram por profundas mudanças em seus respectivos espaços geográficos, que se transformaram conforme a economia e outros setores da sociedade também se modificaram.

Os países que passaram pela revolução clássica foram sempre pioneiros no que se refere à elaboração de novas tecnologias. Caracterizam-se por serem grandes importadores de matérias-primas, utilizadas em seu processo industrial, e por serem grandes exportadores de produtos industrializados e, principalmente, de alta tecnologia.

A maior parte das empresas multinacionais da atualidade é proveniente dos países de industrialização clássica.

Industrialização planificada

Esse tipo de industrialização ocorreu ao longo do século XX e praticamente não existe mais. Iniciou-se após o surgimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e estendeu-se por todos os países que adotaram o modelo socialista soviético.

Ao contrário das demais formas de industrialização, todas as fábricas, indústrias e propriedades eram estatais. Nesse caso, não era o mercado quem regulamentava a economia, mas o Estado. Era ele quem determinava os salários, os preços dos produtos e as transformações econômicas e sociais.

Com a queda do Muro de Berlim e o declínio do mundo socialista pautado no modelo soviético ao final do século XX, esse tipo de industrialização ruiu, as propriedades estatais foram, em sua maioria, privatizadas para empresas estrangeiras ou fechadas, o índice de desemprego aumentou e a economia desses países sofreu graves crises.

Industrialização tardia ou periférica

Esse modelo de industrialização ocorreu, principalmente, nos países subdesenvolvidos e emergentes, incluindo o Brasil. Iniciou-se a partir de meados do século XX, primeiramente na América Latina, na década de 1950, e, posteriormente, em 1960, para o extremo oriente, o sudeste da Ásia e para o Sul da África.  Ainda hoje existem países que passam por esse processo de industrialização.

A industrialização tardia caracteriza-se, principalmente, pela instalação de empresas estrangeiras, as multinacionais. Por isso, alguns críticos afirmam que esses países não se industrializaram, mas foram industrializados, ou seja, o processo de crescimento industrial desses países foi passivo e coordenado pelo capital estrangeiro a seu bel-prazer.

A maior parte das fábricas é do tipo de bens de consumo, isto é, produzem mercadorias diretamente do consumidor. A tecnologia utilizada, quase sempre, é de origem estrangeira.

Fontes: Antonio Gaspareto Junior, Wagner de Cerqueira, Rodolfo A. Pena

 

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