POPULAÇÃO BRASILEIRA

10/06/2015 19:05

POPULAÇÃO BRASILEIRA

DEMOGRAFIA NO BRASIL

O conhecimento dos dados demográficos de um país é fundamental para que ele seja bem administrado. Programas de saúde, educação, construção de estradas, de usinas de energia elétrica, produção de estradas, usinas de energia elétrica, produção de alimentos, etc, devam ser adequados ao perfil da população nacional. Um país com muitos jovens, por exemplo, necessita de grandes investimentos em educação; se o número de idosos é muito alto, é preciso uma boa estratégia de previdência social.

No Brasil, o IBGE realiza diferentes levantamentos que auxiliam na tarefa de escolher as melhores políticas públicas. O mais completo deles é o Censo Demográfico, realizado a cada dez anos. Para que sejam feitas estimativas demográficas mais exatas, no meio da década é realizada a Contagem da População. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) é anual e levanta informações sobre habitação, rendimento, mão de obra, educação e características demográficas.

Conforme declarou o IBGE, a partir de 2013, a Pnad Tradicional, foi substituída pela Pnad Contínua e apresenta a cada trimestre, dados completos e mais enxutos, com dados mensais relativos apenas à desocupação (mão de obra e emprego).

 

CRESCIMENTO POPULACIONAL

 A Pnad 2011 apontou que a população brasileira era de 195,2 milhões de habitantes. Naquela data, esse número representava a quinta população do mundo, superada apenas pela China, Índia, Estados Unidos e Indonésia, como se pode ver ma tabela abaixo, conforme dados do IBGE – 2013.

PAÍS

POPULAÇÃO

1. China

1.353,6 (milhões)

2. Índia

1.258,3 (milhões)

3. Estados Unidos

315,7 (milhões)

4. Indonésia

244,7 (milhões)

5. Brasil (dados de 2011)

195,2 (milhões)

Segundo o Censo de 2010 (último realizado), a população brasileira cresceu quase vinte vezes desde o primeiro censo em 1872. Passou de 9.930.478 habitantes para 190,8 milhões de habitantes em 2010.

Para explicar o crescimento populacional de um lugar, algumas variáveis são fundamentais: taxa de natalidade, taxa de mortalidade e taxa de fecundidade, (estimativa do número médio de filhos que uma mulher teria até o fim de seu período reprodutivo.)

O aumento da população é chamado de crescimento demográfico ou populacional. Para obter o número relativo do crescimento demográfico, deve-se somar o número de nascimentos com as migrações e subtrair o número de mortos.

A população de um lugar aumenta porque o número de pessoas que nascem é superior ao das que morrem. A diferença entre a taxa de natalidade (quantidade de nascimentos) e a de mortalidade (quantidade de mortes), em determinado período, chama-se de crescimento vegetativo ou crescimento natural.

Alguns países podem apresentar crescimento vegetativo negativo, que ocorre quando as taxas de mortalidade são maiores que as de natalidade. É o caso da Rússia por exemplo. Há também casos em que as taxas de natalidade mortalidade são equivalentes. Quando isso ocorre, diz-se que o crescimento vegetativo é nulo.

A população de um lugar ou de um país pode diminuir ou aumentar também em razão de movimentos migratórios, ou seja, devido a saída de pessoas de seu lugar de origem (emigração) e à chegada a um lugar que as recebe (imigração).

No Brasil, as migrações internacionais têm pouca influência no crescimento da população, que vem aumentando graças ao crescimento vegetativo positivo.

Natalidade, mortalidade e fecundidade

De acordo com o IBGE, o crescimento contínuo da população brasileira é devido à queda nas taxas de mortalidade após os anos 1940 e também aos altos níveis de fecundidade desse período até o final de década de 1980, quando os níveis de fecundidade começaram a apresentar uma queda mais acentuada, fazendo com que as taxas médias de crescimento também caíssem. Dessa forma, passaram de 2,6% em 1980 para 1,2% em 2010.

A diminuição na taxa de fecundidade ocorreu devido a alguns fatores, entre eles os quais podemos destacar: maior acesso das mulheres ao mercado de trabalho, aumento da renda média e nível educacional, maior difusão de métodos contraceptivos (preservativos, pílulas, esterilização de homens e mulheres) e maior planejamento familiar.

O censo revelou também que entre 2000 e 2010 as maiores taxas de médias de crescimento ocorreram nas regiões Norte (2,09%) e Centro-Oeste (1,91%). As regiões Nordeste e Sudeste apresentaram taxas semelhantes: 1,07% e 1,05%, respectivamente. A região Sul foi a que menos cresceu, apresentando uma taxa de 0,87%.

ESTRUTURA DA POPULAÇÃO

Para saber como é formada uma população, estudaremos sua estrutura etária, sua composição por sexo, por pessoal ocupado nas diversas atividades econômicas e sua composição por cor.

Uma população com elevada taxa de crescimento demográfico terá um maior número de jovens e crianças. Por outro lado, países que crescem pouco, ou têm aumento negativo da população, apresentam muitos idosos em sua composição. Todas essas diferenças refletirão, também, na formação da população ativa, na expectativa de vida e nas necessidades do mercado de trabalho.

Pirâmide etária brasileira

Ao analisar uma população, consideramos três grupos ou faixas principais – jovens: com idade entre 0 e 19 anos; adultos: entre 20 e 59 anos; e idosos: acima de 60 anos.

A análise etária de uma população é importante por causa das implicações que a predominância de uma ou outra faixa pode significar: vantagens ou preocupações para o planejamento econômico de um país.

O gráfico que representa a estrutura etária e a composição por gênero de uma população é a pirâmide etária, cujo formato considera fundamentalmente as taxas de natalidade e de mortalidade. Por meio de Pirâmide Etária, é possível verificar, por exemplo, se há aumento ou diminuição das taxas de natalidade, bem como a proporção de pessoas idosas na população.

Há alguns anos, podíamos afirmar que os países desenvolvidos apresentavam elevada porcentagem de adultos, e que países emergentes, como o Brasil, eram nações de jovens. Hoje, porém, o perfil demográfico do mundo mudou devido ao aumento da expectativa de vida e à diminuição das taxas de natalidade. O envelhecimento da população é um fato global, países emergentes agora conhecem um aumento de idosos em sua estrutura etária.

A população brasileira está em transição para a fase adulta, ou madura, fato que coloca a pirâmide etária do país em uma situação intermediária: a base é mais estreita que o corpo, porque a taxa de natalidade está reduzida e o número de adultos já compõe a maior parte da população do país; o topo é mais estreito que a base. No entanto, com o passar do tempo e o aumento da expectativa de vida, o número de idosos será cada vez maior, aumentando, assim, o topo da pirâmide.

Como podemos perceber ao comparar as pirâmides etárias, o Brasil está envelhecendo – e rapidamente. O país já chegou a uma taxa de fecundidade de 1,95 filho por mulher, patamar que só se estimava ser atingido em 2043. De acordo com os resultados da Pnad 2011, o número de idosos dobrou nos últimos vinte anos. Entre os anos de 2009 e 2011, o número de pessoas com idade acima de 60 anos aumentou 7,6%. Enquanto isso, número de crianças de até quatro anos caiu no país.

Em 2011, a maioria da população idosa do país encontrava-se concentrada na região Sudeste, somando 10,4 milhões de pessoas, enquanto na região Norte predominava uma população jovem: 57,6% tinham menos de 30 anos.

Gênero

Como podemos ver na pirâmide etária de 2010, no Brasil, há uma pequena predominância das mulheres sobre os homens. A população feminina é maior do que a população masculina devido à maior expectativa de vida das mulheres.

De acordo com dados do Censo 2010, 51,5% da população era constituída de mulheres e 48,5% de homens. A publicação revelou também que os homens eram maioria até os 19 anos, mas a partir dos 20 anos a relação se invertia e as mulheres predominavam entre a população adulta e idosa.

No que se refere às regiões de predominância, na região Norte há quase o mesmo número de homens e mulheres, está no Sudeste.

População economicamente ativa

A população Economicamente Ativa (PEA) é composta de pessoas que têm ocupação remunerada, enquanto a População Economicamente Inativa (PEI) corresponde às que não exercem atividade remunerada. Crianças que não trabalham, aposentados, idosos, mulheres e homens que cuidam do lar são exemplos de população economicamente inativa.

A composição etária reflete-se na estrutura da população economicamente ativa e considera:

  • População em Idade Ativa (PIA) – pessoas entre 15 e 64 anos.
  • Taxa de Atividade – percentual de população de 10 anos ou mais, que participa efetivamente do mercado de trabalho, estando empregada ou não.
  • Razão de Dependência – expressa o peso das crianças e idosos, que não exercem atividade remunerada, sobre a população em idade ativa.

No Brasil, segundo a Pnad 2011, a população em idade ativa (ocupada ou não) somava 149,8 milhões de pessoas. Nesse mesmo período, a população economicamente ativa estava estimada em 99,1 milhões de pessoas e a taxa de atividade era de 66,2%.

A população economicamente ativa no Brasil divide-se entre os três setores de atividades econômicas: primário, secundário e terciário. O primário é voltado para o meio rural, enquanto os secundário e terciário são tipicamente urbanos.

Apesar de as mulheres serem maioria no Brasil e também na população em idade ativa (PIA), ainda são minoria na população ocupada (45,4%). Sua situação trabalhista não é melhor que a dos homens. Preconceito, salários mais baixos, dupla jornada de trabalho (casa-serviço) são alguns dos desafios enfrentados pelas brasileiras. Os homens, além de receberem os melhores salários, ocupam os melhores cargos ou funções.

Embora lentamente, a igualdade de direitos entre os gêneros no Brasil vem se consolidando, e a participação feminina na sociedade é cada vez maior. Segundo divulgou a Pesquisa por Amostra de Domicílios – 2011, as mulheres já são 40% da força de trabalho no Brasil e chefiam quase 30% das famílias brasileiras. Paralelamente, o número de homens que trabalham e se ocupam dos afazeres domésticos também tem aumentado nas últimas décadas.

 

COMPOSIÇÃO ÉTNICA

A miscigenação trouxe grande diversidade de traços culturais na formação da população da população brasileira.

O Brasil é marcado pela diversidade, que aparece em características culturais, como língua, religião, música, hábitos alimentares, e também nas características físicas das pessoas, como cor da pele, dos cabelos, estatura etc.

Entre os elementos mais evidentes da presença de culturas diversas na formação de nossa população está a língua falada. Dos portugueses herdamos a nossa língua oficial. No entanto, nossa língua portuguesa não é falada da mesma forma por toda a população. Há diferenças regionais que aparecem, por exemplo, no sotaque das pessoas. Além disso, na língua portuguesa falada n0o Brasil, há muitas palavras de origem indígena e africana.

Os indígenas (primeiros habitantes), os negros (trazidos do continente africano para trabalhar na condição de escravos) e os brancos (europeus, principalmente) formam os três grupos básicos que compõem a população brasileira.

A intensa miscigenação, ou mestiçagem, entre esses grupos originou mulatos (brancos com negros), cafuzos (indígenas com negros) e caboclos ou mamelucos (indígenas com brancos). No entanto, o IBGE usa a nomenclatura parda para definir todos os mestiços.

De 1940 até 2009, os pardos foram a parcela da população brasileira que mais cresceu. Porém, de 2009 a 2001, período em que foi realizado o levantamento do estudo da população, divulgado pelo IBGE, o número de pardos caiu em termos percentuais: diminuiu de 84,7 milhões para 84 milhões de pessoas.

Os diferentes processos de povoamento e ocupação das regiões influenciaram na forma em que se encontra distribuída a população pelo território brasileiro.

Encontramos maior concentração de pardos na região Norte e Nordeste em razão da mestiçagem entre os primeiros habitantes (indígenas), o colonizador europeu branco( português) e os africanos.

A população negra concentrou-se no Sudeste e Nordeste, pelo fato de a escravidão ter sido mais intensa nessas regiões.

A maior concentração de brancos na região Sul é explicada, entre outros fatores, pela necessidade que, inicialmente, Portugal tinha de ocupar todo o território brasileiro para garantir sua posse efetiva e pela menor utilização da mão de obra escrava nas atividades econômicas da região. A imigração de europeus para o Sul, principalmente a partir do século XIX, também contribuiu para o predomínio da população branca na região.

Indígenas

Mesmo tendo sido quase dizimados, principalmente na costa leste do Brasil, os indígenas influenciaram hábitos da população não indígena, como banhar-se todos os dias, usar redes e consumir mandioca e seus derivados.

Muitas vezes imagina-se que os indígenas são aqueles os quais vivem distante das cidades em contato direto com a natureza e estão desaparecendo. Porém, eles são contemporâneos da sociedade brasileira, pois participam da criação de leis, votam e elegem candidatos e compartilham de problemas que toda a sociedade enfrenta como a poluição ambiental, a violência, o precário acesso à saúde e à educação etc.

É importante perceber que a cultura e a sociedade indígena se modificam e se transformam ao longo do tempo como qualquer outra sociedade humana. Mesmo falando português, vestindo roupas e utilizando novas tecnologias, como computadores, câmeras, celulares, etc., os indígenas não perdem sua identidade, ou seja não deixam de ser índios.

Hoje os indígenas brasileiros vive, em 683 Terras Indígenas e em algumas áreas urbanas.

A população indígena é praticamente inexpressiva. No entanto, foi a que mais cresceu proporcionalmente. Dados de “Os indígenas no Censo Demográfico 2010”, publicação do IBGE, revelaram que a população que se auto declarou indígena praticamente triplicou nos últimos vinte anos. Passou de 294 mil, em 1991, para 817.963, em 2010.

Os povos africanos

Assim como os indígenas, os povos africanos pertencem a diferentes grupos étnicos, vindos de várias regiões da África, e representavam, numericamente, boa parte do total da população no período da colonização. Aproximadamente 4 milhões de africanos foram trazidos para o Brasil, para trabalharem como escravos, entre os séculos XVI e XIX, alguns historiadores dizem que o número pode ser muito maior, pois era costume não declarar a compra da “peça”, como os negros escravizados eram chamados, para não pagar impostos. Muitos deles fugiram para formar comunidades quilombolas e, até hoje,é possível encontrar milhares de famílias de descendentes dos povos escravizados vivendo em comunidades quilombolas. Essas comunidades foram criadas como uma forma de resistência às opressões que sofriam os negros escravizados.

Mesmo com o fim da escravidão no Brasil, as populações negras e pardas ainda sofrem com a desigualdade social. Essa desigualdade pode ser percebida por meio de levantamentos estatísticos realizados, por exemplo, pelo IBGE, considerando a população segundo a cor ou raça. É importante salientar, que houve um aumento na proporção de negros e pardos no ensino superior no Brasil nos últimos 10 anos. Entretanto, quando comparado com a população branca, a diferença ainda é grande.

Apesar da desigualdade social sofrida pelos negros e pardos e todo o passado de repressão aos povos africanos, os negros e pardos vêm ganhando cada vez mais espaço na sociedade brasileira. Além disso, suas manifestações culturais, expressadas por meio da música, da religiosidade, da dança, da comida etc., têm um importante papel na composição cultural brasileira.

Imigrantes

Grande parte da população brasileira é formada por imigrantes ou descendentes destes. A chegada desses imigrantes se deu sobretudo entre meados do século XIX e meados do século XX, quando muitos europeus (principalmente portugueses, italianos, espanhóis, alemães) e asiáticos (sírios, libaneses, japoneses, entre outros) chegaram ao país.

Os italianos, que formaram um dos grupos mais numerosos de imigrantes estabelecidos no Brasil, a partir do final do século XIX dirigiram-se principalmente para o estado de SP e RS. Nas regiões onde os imigrantes se estabeleceram, podemos notar influências deixadas na paisagem.

 

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